Minha participação com animações, ilustrações e assemblages para o filme, O QUE PODEM AS PALAVRAS realizado pelas talentosas e competentes Luísa Sequeira e Luísa Marinho... O documentário que venceu o Prémio do Público no Festival Doc Lisboa conta com produção e montagem da camarada Ana Almeida junto com a própria Luísa Sequeira, sound design de Maurício D`Orey e trilha sonora original por Guilherme Barros.
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Tha Future...
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| Sobre os vivos e as coisas... Por Sama. |
Quando não tratarmos bem dos nossos mortos,
seus fantasmas nos assombrarão eternamente.
Há no subsolo brasileiro,
uma imensurável quantidade de sagradas riquezas,
uma imensurável quantidade de sagradas riquezas,
que é amaldiçoada por uma gigantesca legião
de corpos que ocupam estas mesmas entranhas…
de corpos que ocupam estas mesmas entranhas…
Outrora foram pessoas que não tiveram
suas vidas e mortes respeitadas…
suas vidas e mortes respeitadas…
Encontram-se misturados aos veios de ouro,
prata, nióbio, ferro e minérios de toda sorte.
prata, nióbio, ferro e minérios de toda sorte.
São Índios, Negros, Mulheres e Homens.
Todos pobres, desviados, desavisados,
inconformados, indignados,
crianças e velhos com suas histórias e tradições…
inconformados, indignados,
crianças e velhos com suas histórias e tradições…
Sacrificados junto com rios, matas e animais
em nome dos parasitas do Capital.
em nome dos parasitas do Capital.
Mas até os vermes sabem que,
uma vez contaminado o Sal da Terra,
o barro que nos molda se tornará um pó de nada,
sem nutrientes e nem para adubo nós serviremos…
uma vez contaminado o Sal da Terra,
o barro que nos molda se tornará um pó de nada,
sem nutrientes e nem para adubo nós serviremos…
A sanha dos 0,01% terá seus 99,9%
de satisfação instantânea, analógica e virtual para,
então, num curto orgasmo artificial,
extinguir-se também num sopro de tempo,
que durará menos do que a lembrança
de um sonho bom numa manhã atribulada
no pregão da bolsa.
de satisfação instantânea, analógica e virtual para,
então, num curto orgasmo artificial,
extinguir-se também num sopro de tempo,
que durará menos do que a lembrança
de um sonho bom numa manhã atribulada
no pregão da bolsa.
Para esta maldição ser quebrada,
primeiramente devemos libertar nossos mortos,
honrar suas memórias e lembrar suas glórias.
primeiramente devemos libertar nossos mortos,
honrar suas memórias e lembrar suas glórias.
Só então nós vamos nos encher
de sentido novamente e voltar a sermos
capazes de distinguir entre os vivos e as coisas…
de sentido novamente e voltar a sermos
capazes de distinguir entre os vivos e as coisas…
As coisas são aquilo que
se pode comprar,
negociar,
oferecer…
se pode comprar,
negociar,
oferecer…
Elas não são boas nem más, são apenas coisas.
Sua serventia é que deve ser imbuída de propósito.
Quanto aos vivos, estes devem despertar,
mesmo que tardiamente,
para tentar evitar o caminho que já nos leva
diretamente a um horizonte turvo.
mesmo que tardiamente,
para tentar evitar o caminho que já nos leva
diretamente a um horizonte turvo.
Quando os últimos homens de bem desta terra
andarem pelo que restou do país,
hão de se lembrar que não precisava ter sido assim.
andarem pelo que restou do país,
hão de se lembrar que não precisava ter sido assim.
Celebremos e aceitemos os nossos mortos
para podermos reencontrar o sentido da vida
para podermos reencontrar o sentido da vida
Os ocupantes das covas rasas,
encontrarão na sua derradeira viagem
as mesmas condições dos hóspedes
dos mais suntuosos mausoléus e
a Terra sem distinção nos devorará a todos.
encontrarão na sua derradeira viagem
as mesmas condições dos hóspedes
dos mais suntuosos mausoléus e
a Terra sem distinção nos devorará a todos.
Um gesto democrático da natureza
para nos lembrar que, para ela,
somos todos iguais.
para nos lembrar que, para ela,
somos todos iguais.
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Mondo Sama pela Noir
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Muito orgulho de integrar este time de autores da Editora Noir, que conta com nomes como: Gonçalo Silva Junior, Gabriel Priolli, Julio Shimamoto, Wander Antunes e muitos mais... Grato pelos textos de apresentação do Douglas Utescher e do genial Gonçalo Junior, que também é um dos editores, junto com o impecável, Andre Hernandez. Um excelente trabalho!
The News
Este trabalho integrou a exposição, "Entretanto", nos meses de julho e agosto de 2017, na Galeria Sputenik The Window no Porto.
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A exposição "Belles de Jour" do Sama em Lisboa
A mostra, "Belles de Jour" e lançamento da BD/HQ, "A Entrevista"
em Lisboa na El Pep Store & Gallery.
"Belles de Jours, é o novo projecto artístico de Sama, e insere-se claramente numa esfera sociopolítica reactiva, através da tensão formal e física resultante da colagem de títulos de notícias, recortados dos jornais e posteriormente colados em composição com monotipias que
o autor cria previamente, num processo criativo devedor tanto da estética DIY(do it yourself) como das vanguardas modernistas."
André Azevedo
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Belles de Jour
Les Belles de Jour é o novo projecto artístico de Sama, e insere-se claramente numa esfera sociopolítica reactiva, através da tensão formal e física resultante da colagem de títulos de notícias, recortados dos jornais e posteriormente colados em composição com monotipias que o autor cria previamente, num processo criativo devedor tanto da estética DIY como das vanguardas modernistas.
Para isso contribui decisivamente a técnica de reprodução escolhida pelo autor: a monotipia, técnica essa que consiste na criação de um desenho e/ou mancha de cor numa superfície lisa que depois é impresso numa folha, obtendo-se assim uma prova única desse mesmo trabalho (o prefixo mono, em latim, significa único). Sendo uma forma de arte espontânea, tem quase sempre resultados imprevisíveis e por isso experimentais.
Devido a estas singularidades, os conceitos de “erro” ou “acidente” são aqui assumidos como parte do processo, deixando mesmo de fazer sentido procurá-los nas várias manchas e linha obtidas. E esse carácter único é por vezes acentuado pelo autor através do desenho na própria impressão, subvertendo assim as “regras” subjacentes a esta técnica artística na conjugação interdisciplinar de vários mediums.
Depois da passagem do desenho para a prova, o que fica é o reflexo em espelho, por vezes translúcido, desse mesmo desenho. O resultado visual é uma espécie de cruzamento bastardo entre um Teste de Rorschach e uma fotocópia, com as frases recortadas a darem novos significados às imagens. No fim há a possibilidade de mais impressões, é certo, mas serão já impressões fantasma, cada vez mais ténues e difusas.
Sentem o ruído? Mergulhem nele. — André Azevedo
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