BAD CINEMA no MATE Festival...
BAD CINEMA é um projeto transdisciplinar do artista Sama,
que se apresenta para o grande público no âmbito do Festival
MATE em Coimbra. Nesta ação artística híbrida que é
apresentada em variados suportes, vídeos, pinturas,
desenhos, música e spoken word, indentificámos referências
nas produções dos“B Movie”, filmes de baixo orçamento,
oriundos principalmente dos anos 70 e 80 do século XX,
que abarcavam géneros diversos como, ficção científica,
horror, artes-marciais e subgéneros como, sexploitation,
giallo etc… Filmes, muitos deles assistidos em reprises
na televisão, que outrora influenciaram o artista, e que,
de um certo modo distorcido, e às vezes até jocoso,
preconizaram os efeitos nefastos do Capitalismo
Tardio no estado das coisas na atual realidade sócio-
política-econômica ocidental. Soma-se a este caldo de
cultura seminal, referências aos comix, romances policiais
e música punk. Também integram o projeto a artista e
cineasta Luísa Sequeira, o músico Veredas, além de
eventuais participações, como o guitarrista e também artista
multidisciplinar Victor Torpedo. Nas performances são
executadas peças sonoras, leituras, desenhos improvisados
e projeções de cinema expandido.
Sobre o conceito, apesar das referências à elementos da
cultura popular estarem presentes, uma associação direta
desta provocação de Sama com o movimento Pop Art do
anos 60 seria no mínimo equivocada. Considerando que,
apesar de também conter críticas à cultura de consumo,
há na proposta original de Sama, uma denúncia que vai
além, que resulta na demolição, ou reificação destes
símbolos e ícones da cultura pop, expondo-os como
agentes a serviço da supremacia anglo-saxã do norte
global, que não obstante, ruma em ritmo acelerado para
um estado de falência econômica, moral e cultural.
Se para Warhol e Lichtenstein, Mickey ou Superman foram
dignos de serem apresentados em museus e espaços de arte,
com todas as suas cores, romantismo e glamour respectivos,
para criticar e ao mesmo tempo celebrar a ascensão da classe
média estadunidense, para Sama, um artista brasileiro que
cresceu num país capitalista periférico, os mesmos são
expostos nas suas versões mais ambíguas, primeiro como
agentes imperialistas e posteriormente, como representantes
do iminente colapso do poder hegemônico ocidental.
