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BLACKS FROM OUTER SPACE

 Blacks from outer space by Sama















 

 

Em BLACKS FROM OUTER SPACE, a nova exposição de Sama apresentada no Centro Cultural do Mindelo, em Cabo Verde, vemos uma continuidade de abordagem do artista, sobre temas sociais, assim como em KILL THE PRESIDENT e CRISES INFINITAS, mas desta vez, mais focada na questão do negro na cultura popular contemporânea. Sama apresenta uma série de desenhos velozes, com técnicas variadas, na sua maior parte, feitos a negro, que sugerem um novo referencial narrativo, anti-hegemônico, onde vemos homens e mulheres, negros, mestiços e orientais, ocupando lugares de destaque no imaginário popular, como: heróis dos comics e do cinema de aventura intervindo no nosso mundo como protagonistas, provocando desta forma, uma descolonização do olhar domesticado do espectador.
Num  processo de reapropriação, Sama traz para o discurso da chamada periferia mundial, elementos outrora roubados pelas potências culturais hegemônicas, como por exemplo, o modernismo tropical de Burle Marx e Oscar Niemeyer, largamente usado para dar o ar futurista da série clássica de TV, Star Trek. Além disso, identificamos também, o saldo antropofágico de séculos de colonização transmutados em ditaduras estéticas…
Esta e outras questões da modernidade alternativa, (altermodern) estão presentes, nos traços e manchas de Sama.

Luísa Sequeira

Kill the President - 2019

foto: Sérgio Aires


Este trabalho integra a exposição, KILL THE PRESIDENT...



































"Samanismo não é uma religião, mas lida com o sagrado, o profano e o místico. Na exposição, KILL THE PRESIDENT, Sama convida-nos a reflectir sobre os contrastes poéticos da angústia contemporânea, com temáticas oriundas da cultura popular, como os comicbooks, filmes B, notícias de jornal etc... Através de desenhos, pinturas, objectos e vídeos, testemunhámos a reconstrução de uma memória inventada pelo artista, em relação ao imaginário tropical e moderno que chocam-se no Brasil, seu país de origem. Neste seu universo imaginário, Sama manipula o tempo e o espaço periférico, com referências a obras de suspense ou de ficção científica que outrora influenciaram o artista. Além do comentário social, político e anti-hegemónico, é perceptível um humor ácido e crítico que resulta no que poderíamos chamar de um neo-expressionismo-pop com ares de crônica de uma realidade paralela quase tangível."

Quadrinhos pela Democracia...

Sama e Guilherme Boulos
Quadrinhos, corações e mentes... Eu e o Boulos, captados pela lente de Lu Sequeira, momentos antes de sermos teleportados para o Mondo Sama.